Cala a boca, Bárbara

9 dezembro 2008
by Jana e Nanda

***  Texto de Braitner Moreira, blogueiro do  www.quattrotratti.com  e estudande da UnB ***

Cala a boca, Bárbara! Porque Adílson, queira você ou não, sabe dos caminhos dessa terra que leva a Libertadores. Criticado e não raro apupado por Bárbara a plenos pulmões no Mineirão, o Capitão América comandou o clube mais estável da temporada brasileira. Mesmo campeão Mineiro, eliminado na Libertadores só pelo temido Boca Juniors e terceiro colocado no Brasileiro tendo passado 37 das 38 rodadas no G-4, Adílson nunca foi unanimidade e Bárbara foi contra sua permanência.

Bárbara, coitada, se esquece de quem construiu o time cruzeirense mais estável desde a Tríplice Coroa, só não mais confiável devido à baixa idade média do elenco. Também remonta de 2003 o alto número de jogadores identificados com Bárbara. Fábio, Jadílson, Ramires, Fabrício, Wagner e Guilherme caíram em sua boca. E Bárbara se faz de difícil pra Thiago Heleno, Jonathan, Henrique. Mas acredite, se um dia os perder, Bárbara vai ter dificuldade para encontrar o sono.

Até mesmo quem estava no grupo se viu reconstruído por Adílson, cuja teimosia não fazia bem para quem estava de fora. Nenhum daqueles que olham a vida dos dois de fora gosta de treinos táticos fechados, muito menos mistério. E treinos assim abertos Adílson fez apenas dois em todo ano, ambos em dezembro. Era de se esperar que a imprensa alcoviteira jogasse Bárbara contra Adílson e assim se fez.

E Adílson nunca se fez de rogado, nunca abandonou seus ideais por Bárbara. Perdendo, Adílson já tirou um atacante para botar um volante e saiu com o jogo vencido. Mas Bárbara, boa mulher, só se lembra de quando isso não deu certo. Adílson, bom homem, soube admitir que não fez nada certo quando saiu humilhado de Goiânia. Mas Bárbara, oras, não soube elogiar quando os volantes de Adílson guiaram o time pelo sucesso em Curitiba.

Muito porque Bárbara é exigente, mas não é muito diferente das outras. Gosta mesmo é de um bom lugar-comum, de bom papo e boa aparência. Adílson sabe dos segredos que ninguém ensina e é parceiro nas campanhas, nos currais, nas entranhas. E de Bárbara, olha só, quantos ais ai.

Cala a boca, Bárbara! Este homem te salvou quando estava prestes a entrar na zona com Renato Gaúcho. Com Adílson você tem passado, ganhou presente e espera um bom futuro. Olha o fogo e cala a boca, Bárbara.

O Cruzeiro conseguiu uma das vagas para a Libertadores 2009 e terminou o Brasileirão em terceiro lugar.  “Cala a boca, Bárbara” é uma música de Chico Buarque e Ruy Guerra, composta em 1972/73 para a peça Calabar.

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